Empresa de Florianópolis usa software para ‘curar’ crise

Em um ano e meio, a Exact Sales caminha para ser referência nacional.
Empresa trabalha com gestão de processos de vendas.

Em meio a um clima de economia “doente”, uma jovem empresa de Florianópolis desenvolveu uma metodologia cirúrgica de automatização de vendas e criou um promissor ambiente de negócios.

De médicos, os empresários Théo Orosco, 28, e Felipe Roman, 29, não têm nada, são formados em administração e computação, respectivamente, mas aprenderam a detectar e solucionar as “dores” do mercado. Há um ano e meio criaram a Exact Sales, umas das tantas experiências de sucesso do promissor segmento de startups de Santa Catarina.

De “loucos”, ambos também só agregam o ímpeto encarar o desafio de levar adiante um negócio quando muitos preferem a cautela. O método desenvolvido pela empresa atua incisivamente na redução do tempo e nas despesas com negociações para a efetivação de vendas de alta complexidade em tempo reduzido, em alguns casos até questão de dias.

“Não adianta parar as vendas porque o negócio para também. Não há momento mais propício como agora para causar uma explosão de maneira correta”
Felipe Roman

O embrião deste processo foi desenvolvido em 2013 por Orosco, quando atuava como gerente de marketing da Welle Laser, empresa de Florianópolis. Com a experiência alcançou um resultado três vezes maior das vendas e levou a empresa a alcançar o 1º lugar no ranking Exame PME/Delloite das empresas que mais cresceram no país naquele ano.

“Não adianta você oferecer uma farmácia inteira para uma dor de cabeça. O que o cliente e o mercado precisam é de um medicamento específico”, explica Orosco, que no final de 2014 abriu oficialmente a Exact Sales em sociedade com Felipe Roman. Hoje dispõe de 400 clientes de ramos diversos, da tecnologia de informação à logística.

Software
Roman foi o responsável por desenvolver a ferramenta digital, no caso um software, capaz de automatizar a prospecção e qualificação de clientes utilizando as técnicas de coletas de dados ricos, análises combinatórias e gatilhos mentais. A partir de então passaram a formar equipes de desenvolvimento, marketing, consultoria, pré-venda e venda. É um pacote, espécie de força-tarefa que atua dentro das empresas.

O resultado não tardou em aparecer, a empresa saiu do zero para a marca de R$ 3 milhões de faturamento em apenas nove meses, sendo reconhecida com o Top de Marketing e Vendas da ADVB de 2015 na categoria Empresa Jovem.

“O que mostramos para o cliente é justamente aquilo que aplicamos na nossa empresa, de que não adianta parar as vendas porque o negócio para também. Não há momento mais propício como agora para causar uma explosão de maneira correta”, adianta Roman.

O clima da economia em 2016 foi sujeitos a “chuvas e trovoadas”, mas nada que abalasse as projeções dos dois empresários para o ano, onde pretendem fechar com faturamento de R$ 5 milhões e ampliar o quadro de funcionários dos atuais 60 para 90. Quanto a 2017, são mais otimistas ainda, chegando a soma de R$ 11 milhões em faturamento e 120 empregados.

Investimentos
O negócio chamou a atenção de investidores, como o fundo CVentures Primus, também de Florianópolis, que em junho do ano passado entrou em sociedade com um aporte de R$ 1 milhão e que prepara uma nova injeção de capital para os próximos meses. A aposta do fundo é que a Exact se consolide como referência no país em software para gestão de processos de pré-venda.

Para Roman, o setor tecnológico tem a vantagem de se blindar muito mais rápido contra as intempéries de economia, desde que se especialize cada vez mais e o ambiente em Florianópolis tem dado demonstrações disso. “Essa imagem da cidade como a Ilha do Silício não é ficção. Há uma pluralidade e uma troca muito rica de ideias e experiências que agem em cadeia”, avalia Roman.

Orosco observa uma melhora significativa do ambiente de negócios neste final de semestre e, partindo do princípio de que o sintoma não é inimigo, a crise tem o seu efeito profilático de levar a uma mudança de cultura com foco na eficiência e no processo. “É o momento para repensar muitas coisas, de sair da zona de conforto, e o ecossistema aqui em Santa Catarina é muito favorável para empreender”, avalia o CEO.

Fonte: G1.globo.com